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12/06/2013 - Cooperativas perderam mais de R$ 70 bi por falta de capital

12/06/2013
O sistema de cooperativas de crédito perdeu R$ 70 bilhões em empréstimos de associados em 2012 para os bancos do sistema financeiro convencional. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) na última quinta-feira (6), durante um seminário internacional do órgão que debateu o tema da regulação das cooperativas de crédito. Para o representante da OCB, Ênio Meinen, as cooperativas têm um problema de escala, o que dificulta a concessão de grandes valores de crédito. "Perdemos esse crédito por problemas de escala e limites técnicos, pois a nossa estrutura patrimonial não permite que nós ofereçamos um valor de crédito alto para empresas ou até mesmo para pessoas físicas. As cooperativas precisam ganhar escala e aumentar sua base de associados", afirmou.

Para conseguir esse ganho, as cooperativas estão apostando no aumento do número de serviços disponíveis em suas agências no Brasil, como forma de lidar com as taxas de juros e os spreads do mercado financeiro de uma forma geral. "Com esse nível de taxa de juros baixo não há alternativa para nós que não seja ampliar o portfólio de produtos oferecidos aos nossos clientes. Somos cada vez menos cooperativas de crédito e cada vez mais instituições financeiras cooperativas".  Apesar da perda de crédito para os grandes bancos, o crescimento das cooperativas em 2012 foi de 24,13% no volume de empréstimos, contra 16,90% no Sistema Financeiro Nacional. No total o segmento ultrapassou o HSBC e se tornou o sexto maior emprestador do país, com 2,6% do total do volume de crédito. A inadimplência total para pessoas físicas foi de 1,3% no período, bem menor que média do sistema financeiro nacional, de 2,4%.

Existem no Brasil, segundo dados do BC, 1.124 cooperativas de crédito que estão localizadas, sobretudo, em cidades do interior. "Do ponto de vista regional, os grandes bancos têm 80% de sua atuação nas regiões metropolitanas e 20% no interior. O nosso quadro é o inverso, precisamos entrar com mais força nas grandes cidades do país", refletiu Ênio. O mercado de cooperativas de crédito no Brasil ainda é pequeno em comparação com outros mercados como Estados Unidos e Alemanha, onde o cooperativismo tem uma longa trajetória, um espaço maior no mercado e competem com grandes bancos, sejam eles privados ou públicos.

Os norte-americanos, por exemplo, têm cerca de 7 mil cooperativas de crédito ativas atualmente, com uma base de 96 milhões de clientes, sendo que 45 milhões usam as cooperativas como sua principal instituição financeira. "Em 1964, chegamos a ter 22 mil cooperativas em funcionamento nos Estados Unidos. Desde então ocorreu um processo de fusões e aquisições que reduziu o número para 7 mil", afirmou o economista chefe do Credit Union National Association (Cuna), Bill Hampel. Na Alemanha, existem 1.104 cooperativas de crédito, 274 bancos privados, 432 públicos e 58 especializados. Em termos de participação, os bancos privados são maioria com 38%, seguidos pelos públicos (28%), mas as cooperativas detêm 13% do total do mercado alemão, com regulações muito parecidas. "A legislação trata as cooperativas e os bancos de forma igual, só existem algumas diferenciações de acordo com o tamanho e o formato da cooperativa", afirmou o representante para América Latina do Banco da Alemanha, Marc Rennet. (Fonte: jornal DCI)

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