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Alta do juro deve elevar custo da soja em R$ 100 por hectare

17/06/2015
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O produtor brasileiro de soja deve ter um custo a mais equivalente a R$ 100 por hectare apenas com a elevação das despesas com financiamentos, em função das novas condições de crédito rural estabelecidas no Plano de Safra para a próxima temporada. A avaliação é do sócio-diretor da Agroconsult, André Pêssoa, que participa em São Paulo do Seminário Perspectivas para ao Agribusiness 2015/2016, promovido pela BM&FBovespa e o Ministério da Agricultura.

Pessôa demonstrou certo ceticismo em relação ao pacote de medidas anunciado no início deste mês pelo governo federal. Foram anunciados R$ 198,7 bilhões para a agricultura empresarial, um volume 20% maior que o da safra atual, que termina em junho. Em compensação, as taxas de juros ficarão mais caras para o produtor.


Segundo o consultor, o aumento do crédito, em si, é positivo, considerando as restrições de recursos que outras áreas estão enfrentando. Mas, com o custo de crédito maior, fica a dúvida sobre como deve ser a aplicação de recursos. Ele acredita que deve haver demanda por recursos a juros controlados pelo governo. No entanto, o crédito a recurso livre deve ficar bem mais caro, podendo chegar a taxas de até 17% ao ano.

Bancos seletivos
“Como a balança pesou, subindo mais o recurso livre do que o controlado, e imaginar que vai haver uma demanda por hectare maior, o quanto ele vai pagar de juros no final da safra vai ser próximo de R$ 100 por hectare de soja”, avaliou. 

Além de mais caro, o crédito deve ficar mais seletivo, com os bancos mais exigentes na oferta de financiamentos. “Bancos com maior capilaridade, que têm rede sobretudo nas regiões de médio e pequeno produtores, não vão ter problema. Bancos médios que participam do financiamento da agricultura, esses estão recolhendo um pouco, estão com menos apetite.”

A preocupação com o risco de crédito pode até interferir em outros tipos de operação de financiamento no campo. Caso do barter, que envolve a troca de produto agrícola por insumo, por meio de uma operação triangular, envolvendo produtor, trading e fornecedor. De acordo com André Pessôa, a demanda por transações desse tipo está maior, mas não há segurança em concretizá-las. “Uma saída contra essa situação seria aumentar o uso de recursos próprios e isso vai aumentar, certamente.”

Áreas marginais
O reflexo dessa situação pode ter até uma possível redução de área de soja no Brasil na próxima safra, o que ocorreria pela primeira vez em dez anos. “No sul, o produtor pode optar por plantar um pouco mais de soja e menos de milho verão. Mas em Mato Grosso do Sul, parte de Goiás, Mato Grosso e Mapitoba (confluência entre os estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) é onde a soja prepondera. 

O produtor pode semear em áreas que ele sabe que tem maior produtividade e outras pode deixar em pousio.” Uma situação que não comprometeria o rendimento, porque as áreas que deixariam de ser semeadas com a oleaginosa seriam marginais, isto é, menos produtivas.

A rentabilidade do sojicultor deve ser muito menor na próxima safra, avalia Pessôa, principalmente em função dos baixos preços da soja no mercado internacional. De acordo com o consultor, no norte de Mato Grosso, por exemplo, deve ficar, em média em R$ 200 por hectare considerando uma cotação de US$ 9 por bushel, uma taxa de câmbio em torno de R$ 3,10 por dólar e custo de produção, em média 15% maior.

“Eu não considero arrendamento nem despesas com estruturas comerciais, por que isso muda, dependendo do lugar. Mas se considerar os custos totais de produção, a margem tende ao negativo na próxima safra”, disse ele. “O câmbio é a única saída para garantir alguma margem para o sojicultor.”

Fonte: Revista Globo Rural

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