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Com cooperativas, supermercado transforma lixo em novas embalagens

31/07/2015

A Viva Bem é uma das cinco cooperativas na Grande São Paulo que são parceiras do programa de economia circular Novo de novo, na reciclagem de papel. Isso significa que uma das empresas responsáveis pela geração do resíduo reaproveita os detritos para a fabricação de novas embalagens, "fechando o ciclo".

O programa foi criado pelo Grupo Pão de Açúcar no fim de 2008 e rebatizado em 2013 para ter maior abrangência. A empresa tem parceria com 61 cooperativas pelo Brasil. No ano que vem, o programa deve ser expandido para a área de reciclagem de plástico.

A Viva Bem fica na marginal Tietê, no bairro Vila Leopoldina, em um terreno cedido pela prefeitura. Existe há 13 anos, mas já esteve sediada em outros dois bairros. Segundo a fundadora, Maria Tereza Montenegro, a cooperativa trabalha com 11 caminhões, cedidos pela prefeitura, para o recolhimento do lixo.

Os cooperados chegam para trabalhar um pouco antes das 9 horas, quando a esteira começa a funcionar. É nela que os materiais são separados e colocados em sacos. Depois de separado, o material é levado para prensas.

Os blocos de material prensado são então pesados, e cada cooperado recebe de acordo com sua produtividade. Por causa disso, a renda mensal varia, mas cada cooperado consegue tirar pelo menos R$1200. A esteira para de funcionar às 17 horas.

"Se trabalhar muito mesmo, tem vezes que dá pra chegar perto dos R$ 2 mil", explica Marcelo Rosa de Lima, 52, cooperado há mais de uma década. Ele, que chegou a morar na rua, disse que veio para a cooperativa após ver uma entrevista de Maria Tereza na TV.

No início, morou de favor na casa de amigos, e disse que não tinha coragem de entrar em contato com sua ex-mulher e seus quatro filhos. Ao longo dos anos conseguiu guardar algum dinheiro, e montou seu próprio barraco com sua nova esposa - que conheceu na própria comunidade, há sete anos.

Marcelo explica que ele próprio tinha preconceito com o trabalho, quando começou. Ao longo dos anos a cooperativa foi ganhando mais apoio do poder público. Há vestiários para os cooperados e um salão para refeições.

Apesar disso, há bastante lixo estocado na entrada, ao ar livre, fora do galpão onde o trabalho de separação acontece. E, como nem todo mundo separa o lixo como deveria, os resquícios de matéria orgânica ali presentes acabam atraindo ratos, por exemplo.

Segundo Maria Tereza, essa é uma das vantagens de se receber material reciclado dos supermercados: o lixo vem muito mais "limpo". As pessoas que levam materiais para os centros de coleta têm uma consciência ecológica maior, e separam o lixo mais adequadamente do que quem recicla em casa. "Há alguns anos, cheguei a encontrar até cachorro morto no lixo", lembra Marcelo Lima.

Lei
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei que entrou em vigor no ano passado, exige que as empresas tenham maior responsabilidade sobre o lixo que produzem, mas os acordos específicos estão sendo fechados pelo Ministério do Meio Ambiente com cada setor. O acordo setorial de embalagens, que deveria ter sido fechado em abril desse ano, ainda não foi assinado.

O Pão de Açúcar tem estações de coleta de lixo reciclável nos estacionamentos dos supermercados desde 2001, mas a preocupação efetiva em "fechar o ciclo" só ocorreu em 2008.

"A gente fez estudos com diferentes materiais - como plástico, vidro - para entender qual cadeia seria a mais simples, e percebemos que era a da celulose", explica Aparecido Borghi, gerente de desenvolvimento de embalagens do grupo.

Desde o início do projeto, a empresa Papirus é a responsável pela compra do papel separado pelas cooperativas e pela fabricação das embalagens que utilizam o material reciclado. A empresa detém inclusive a tecnologia para reciclar as embalagens "longa vida", que são compostas de 75% de celulose.

Estima-se que desde o início da parceria com as cooperativas cerca de 100 mil toneladas de lixo reciclável já tenham sido depositadas nas estações de coleta.

Desse total, 6,4% foram destinadas ao programa de economia circular e se transformaram em novas embalagens para as marcas Taeq e Qualitá.

Segundo Borghi, o programa ainda não foi ampliado por conta dos custos logísticos. A fábrica onde os materiais são reciclados precisa ficar relativamente próxima às cooperativas, sob pena de encarecer demais o produto, tornando-o economicamente inviável. A da Papirus, por exemplo, localiza-se na cidade de Limeira (SP).

Fonte: Jornal Floripa

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