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Cooperativa de bambu une comunidade em territrio de conflito

01/12/2014
Um grupo de budistas e muçulmanos trabalham lado a lado em uma cooperativa para fabricar objetos de bambu no conturbado sul da Tailândia. Esta é uma iniciativa incomum em uma das áreas mais violentas do País, que vive um conflito que já tirou a vida de mais de 6 mil pessoas desde 2004.

Desde que a guerrilha muçulmana recrudesceu a luta armada há dez anos, foi instaurado um clima de desconfiança nas províncias meridionais de Pattani, Yala e Narathiwat, onde 80% da população é malaio-muçulmana. Os moradores não expressam animosidade entre credos ou comunidades, mas têm medo de visitar aldeias situadas a poucos quilômetros e isto gerou uma progressiva alienação entre as comunidades budista e muçulmana, principalmente nas zonas rurais.

O projeto da budista Sompong Artinmong conseguiu unir muçulmanos e budistas de várias aldeias em uma cooperativa que se dedica a fabricar cestos e outros objetos a partir de canas de bambu no distrito de Banare, em Pattani. "Começamos o projeto em 2003. Aproveitamos os restos do bambu para fabricar as cestas. Então, não tínhamos nenhum lugar para guardar os utensílios e os deixávamos sob a sombra de uma árvore", relata Sompong, uma enérgica mulher de 50 anos.

Em um barracão que conseguiram construir com doações em meio aos campos de arroz e coco, a budista ensina outras mulheres a fabricar cestos, trabalho no qual também participam alguns homens. "O cultivo de arroz não deixa muita renda e o desemprego é muito alto. Tive a ideia de utilizar os resíduos do bambu para fazer cestas", explicou Sombong.

"Nós nos organizamos melhor. O governo, às vezes, não entende as necessidades locais", acrescentou a empreendedora, detalhando que muitas famílias ganham em um bom ano até 30 mil bat (US$ 913) com a venda de arroz.

Mastha Sini, uma muçulmana de 23 anos da cooperativa, declarou que estuda na Universidade Islâmica de Yala e que tem amigos budistas, embora prefira não ir a aldeias de maioria budista que não conhece, por medo. "Não sei por que os budistas e os muçulmanos se matam, talvez seja por vingança", comentou Mastha, que conversava amigavelmente com Wilari, outra mulher budista de 20 anos na cooperativa.

Cerca de 150 mil soldados, paramilitares, policiais e milícias de voluntários enfrentam cerca de 9 mil insurgentes de diferentes grupos que exigem a independência ou autonomia da região, segundo dados oficiais recolhidos pela organização Deep South Watch.

As províncias de Pattani, Yala e Narathiwat eram parte do antigo sultanato de Patani, anexado em 1909 por Siyam (atual Tailândia). Durante anos, a comunidade malaio-muçulmana foi submetida a uma agressiva política de assimilação, embora no ano passado as autoridades e a guerrilha tenham realizado a primeira rodada pública de contatos para negociar a paz. (Fonte: EFE)

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