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Crise hdrica altera mapa da produo de alimentos

16/06/2015
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Depois de amargar dois anos de baixa na comercialização de hortifrutigranjeiros nas Centrais de Abastecimento do Estado de Goiás (Ceasa-GO), produtores goianos registraram aumento de 8,61% na oferta de produtos no mercado ano passado. A guinada é reflexo da crise hídrica nas Regiões Sudeste e Nordeste, vislumbrada como uma janela de oportunidade para o setor que sofre com encarecimento da mão de obra e custos de produção.

Apesar da reação da oferta de produtos goianos comercializados na Ceasa, o porcentual na participação geral é considerado baixo, de 46,65%. “Quer dizer que a produção local não está acompanhando tanto o aumento da demanda. O poder de compra da população também está melhor”, analisa o gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes Siqueira.

A Ceasa-GO é a quarta maior central de abastecimento do País, com 913 mil toneladas. Também atende a demanda de Brasília e, sobretudo, Estados da Região Norte.

Segundo Josué, o volume de participação goiana de tudo o que é comercializado na Ceasa-GO vem em decréscimo desde 2001. Ele enumera uma série de fatores que contribuem para a estagnação da produção local: encarecimento e falta de mão de obra qualificada, falta de políticas públicas voltadas para o setor, elevação do custo de produção (insumos e fertilizantes). “A produção de Goiás é praticamente a mesma desde 2001, enquanto a população na Região aumentou muito nos últimos anos”, afirma.

Produtos de fora
Por isso, é cada vez mais comum a presença de produtos de outros Estados e até países circulando nos corredores do mercado local. Mas segundo o assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Alexandro Alves, essa relação não atinge o consumidor final. “Produtos que vem de outros Estados não, necessariamente, chegam aqui mais caro para o consumidor”, diz.

Alexandro explica ainda que o setor de hortifrutigranjeiros acompanha fortemente a lei da oferta e procura. “São produtos perecíveis. Se houver uma alta oferta de produtos, ele precisa vender”, afirma.

“Ceasa é como bolsa de valores, os preços oscilam durante o dia, dependendo da oferta”, ressalta Josué.

Alexandro teme que essa retomada na participação dos produtores goianos na Ceasa este ano já não se repita no próximo relatório. “Tivemos uma estiagem muito grande em dezembro de 2014 e início deste ano”, afirma.

Fonte: O Popular

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