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Desembolsos do BNDES em 2015 sero menores do que em 2014

12/11/2015


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (11) que o orçamento para desembolso (investimento usado para financiamento de empresas) da instituição deste ano deverá ficar abaixo do de 2014, devido à redução acentuada da demanda e da intenção de investimento das empresas. A declaração foi feita durante participação de Coutinho no encontro internacional da indústria de semicondutores South America Semiconductor Strategy Summit 2015, que ocorre no Rio de Janeiro.

A expectativa de Coutinho é que os desembolsos mantenham até dezembro o ritmo de queda registrado até outubro, em torno de 25%. Os números estão sendo fechados. Esse patamar de queda nas liberações havia sido apurado até agosto. No ano passado, os desembolsos do banco somaram R$ 187,8 bilhões, com redução de 1% em relação às liberações efetuadas no ano anterior. “O nível de consultas reduziu-se de maneira muito forte. Isso não é novidade”, disse.

Apesar da atual crise no país, o presidente do BNDES reafirmou sua confiança na recuperação da economia. “Nós estamos aqui com investidores estrangeiros. Nós estamos falando com a perspectiva de pessoas que vão investir olhando quatro, cinco, dez anos à frente”, disse. "O Brasil é uma economia que tem potencial de crescimento muito maior do que se olharmos só o momento atual”.

Setor automotivo
Diante da pressão exercida pelo setor automotivo, que levou o governo a reabrir o prazo para novos pedidos de financiamento dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), Coutinho disse que o BNDES está aguardando a orientação superior do Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN fixou o encerramento do prazo para pedidos de financiamento do PSI em 30 de outubro passado e reduziu o limite de crédito do programa para este ano de R$ 50 bilhões para R$ 19,5 bilhões para operações do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Coutinho informou que já começam a aparecer projetos relacionados à engenharia de produção, visando o produto da nova geração que vai estar pronto daqui a três anos, por exemplo. “Às vezes, é um pedido, em termos monetários, mais modesto, porque é a engenharia do produto, mas ele é a semente para, no futuro, você ter uma corrente de exportação e de produção no País, e ele vai se transformar depois em um projeto industrial”. Ele confirmou que parte desses projetos está dentro do PSI Inovação.

O presidente disse que as cadeias produtivas no complexo automotivo já estão pensando em mudar de estratégia e reforçar o papel das unidades brasileiras como base de exportação, aproveitando a taxa de câmbio que as tornou competitivas, pelo menos na região. “Abre oportunidades para reativar a indústria de autopeças ou desenvolver novos projetos”.

Coutinho diz que a indústria automotiva tem sido um dos segmentos de rápido progresso tecnológico. “Hoje, para entrar nas cadeias globais de valor, o produto que está sendo desenvolvido para daqui dois, três, quatro anos, requer uma engenharia que tem que ser feita hoje”. Para ser um supridor, ele ressaltou que é preciso participar da engenharia de produto desde já. Por isso, ele assegurou que a depreciação do real torna a engenharia automotiva competitiva para participar de projetos e habilitar a indústria de autopeças a ter um peso maior no setor.

O presidente confirmou que o BNDES tem recebido e provocado em conversas com as empresas para que essa mudança de estratégia, porque a resposta do mercado à sinalização do câmbio é rápida e forte. “O setor privado está se ajustando. O banco tem que ser um elemento de suporte para acelerar essa mudança”. Ele confirmou que o BNDES tem interagido com frequência com muitos setores e outras cadeias produtivas, no sentido de reforçar a presença internacional da subsidiária brasileira dentro do sistema global.

Fonte: Agência Brasil

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