
O Sistema OCB realizou, nesta terça-feira (17), em Brasília, a 57ª Assembleia Geral Ordinária (AGO). O encontro reuniu dirigentes das Organizações das Cooperativas Brasileiras nos estados (OCEs) para apresentar o balanço das ações e das contas de 2025, além de validar as prioridades estratégicas e o plano de trabalho da entidade para este ano.
Durante a assembleia, foi apresentado um panorama dos resultados do cooperativismo brasileiro. O país reúne hoje 25,8 milhões de cooperados, com R$ 1,39 trilhão em ativos, R$ 758 bilhões movimentados na economia e mais de 578 mil empregos gerados. Outro indicador relevante é a percepção da sociedade. Pesquisa nacional de imagem mostra que 88% dos brasileiros consideram o cooperativismo um modelo atual, moderno e inovador.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, os números refletem o esforço coletivo das cooperativas em todo o país. “2025 foi um ano intenso, de muito trabalho e conquistas. Nada disso seria possível sem o empenho das cooperativas e das organizações estaduais.”
Fortalecimento da gestão
Entre as iniciativas voltadas ao desenvolvimento das cooperativas, o Sistema OCB destacou o avanço de ferramentas de gestão e governança. Em 2025, foram realizados 5.341 diagnósticos organizacionais por meio do AvaliaCoop, ferramenta que apoia as cooperativas na identificação de oportunidades de melhoria e no aprimoramento das práticas de gestão.
O Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão 2025 reconheceu 133 cooperativas por avanços em governança, estratégia e desempenho. Outro marco foi o lançamento do Manual de Boas Práticas de Governança Cooperativista, que reúne orientações para dirigentes e conselhos na adoção de estruturas de gestão mais eficientes e transparentes.
Comunicação e valorização do cooperativismo
A comunicação também foi uma das frentes estratégicas do último ano. A campanha SomosCoop 2025 alcançou mais de 450 milhões de impactos, além de 1,3 milhão de sessões no site e 1,6 milhão de visualizações em ações com influenciadores digitais. Nas redes sociais, a presença digital do movimento cresceu significativamente, com 118 mil usuários inscritos nas plataformas do SomosCoop e mais de 110 mil seguidores nos perfis do Sistema OCB.
Durante o Ano Internacional das Cooperativas, o tema também ganhou espaço em diferentes ambientes institucionais. Além da cerimônia no Congresso Nacional, 17 estados realizaram sessões solenes semelhantes.
Tania destacou que a estratégia buscou aproximar ainda mais o cooperativismo da sociedade. “Tivemos iniciativas importantes para mostrar o que as cooperativas estão transformando nas suas bases. O manifesto, o documentário e o livro com histórias de cooperativas são exemplos que ajudam a apresentar à sociedade a dimensão e o impacto do nosso movimento.”
Avanços institucionais e regulatórios
A articulação institucional do Sistema OCB gerou resultados relevantes. Entre as conquistas estão:
- Autorização para atuação de cooperativas no mercado de telecomunicações;
- Ampliação da participação no mercado de seguro;
- Acesso ao fundo nacional de desenvolvimento científico e tecnológico (FNDCT);
- Avanços no licenciamento ambiental;
- Ampliação da captação de recursos municipais para cooperativas de crédito.
Outro destaque foi o fortalecimento do Procapcred, voltado à capitalização do sistema cooperativo financeiro. Os recursos passaram de R$ 1,6 bilhão em 2024 para R$ 3,6 bilhões em 2025.
Segundo Tania, novas regulamentações devem ampliar ainda mais as oportunidades do setor. “A expectativa é que, em breve, tenhamos também a regulamentação das cooperativas de seguros pela Susep, o que representa um passo importante para ampliar a atuação do cooperativismo nesse mercado”, destacou.
Comunicação integrada
Durante a assembleia, os dirigentes aprovaram a destinação de parte dos resultados para o Fundo de Comunicação, iniciativa voltada a fortalecer a divulgação do cooperativismo em todo o país. “A comunicação é uma das ferramentas mais importantes para mostrar o valor do cooperativismo. Precisamos falar a mesma linguagem, com o mesmo propósito”, apontou o presidente Márcio.
Entre os destaques da área em 2025 estiveram:
- Lançamento da rede ComunicaCoop;
- Publicação do livro fotográfico Cooperativas do Brasil: retratos de um mundo melhor;
- Estreia do documentário Histórias de um mundo melhor;
- Lançamento do livro Comunicação e marketing no cooperativismo;
- Criação do site Cooperative Cultural Heritage.
Governança institucional
A assembleia aprovou a atualização do regimento interno do Conselho Fiscal do Sistema OCB, com medidas voltadas ao fortalecimento da governança e à modernização dos processos. Entre as mudanças está a ampliação do número de suplentes — que passa de um para dois — e a possibilidade de reuniões presenciais, virtuais ou híbridas.
O novo regimento também amplia a autonomia do Conselho Fiscal, que passa a poder deliberar sobre a contratação de consultorias e serviços necessários ao desempenho de suas atividades. “Essas mudanças dão mais clareza ao papel estratégico de cada instância e contribuem para a sustentabilidade institucional do cooperativismo brasileiro”, afirmou Márcio.
Cenário internacional
O cooperativismo também ampliou a presença do Brasil em debates globais. Um dos destaques foi a participação na COP30, com presença na Green Zone, Agri Zone, Blue Zone e Casa do Seguro, e a apresentação de 67 cases de cooperativas brasileiras voltados a temas como agricultura de baixo carbono, bioeconomia, financiamento verde e adaptação climática.
A participação permitiu ampliar o diálogo com governos, organismos internacionais e delegações de diferentes países sobre soluções que unem produção sustentável, inclusão produtiva e preservação ambiental.
Papel estratégico do agro
Ainda durante a assembleia, os dirigentes destacaram o papel do cooperativismo agropecuário como indutor de desenvolvimento econômico, sucessão no campo e fortalecimento de outros ramos, especialmente o crédito. “O cooperativismo agropecuário tem uma força transformadora muito clara. Onde ele está presente, há mais organização e mais solidez econômica”, afirmou o presidente Márcio.
Experiências de estados como Mato Grosso foram citadas como exemplo de como a organização dos produtores em cooperativas contribui para melhorar a gestão das propriedades e fortalecer a participação das novas gerações no campo.
Segundo Tania, a integração entre as diferentes realidades regionais é essencial. “Quando conseguimos conectar as demandas regionais à estratégia nacional do cooperativismo, ampliamos a capacidade de resposta do sistema”, salientou.
Integração do sistema e formação de lideranças
Outro ponto abordado durante a assembleia foi a importância da integração entre as regiões e da mobilização institucional das cooperativas em agendas estratégicas do movimento. Os dirigentes convidaram representantes de todo o país para eventos voltados ao fortalecimento do agro, à inovação e à internacionalização das cooperativas, com foco na expansão de mercados, atração de investimentos e desenvolvimento regional.
As manifestações destacaram também os desafios enfrentados em diferentes regiões, especialmente no Norte e Nordeste, como custos logísticos, infraestrutura e acesso a crédito, além da necessidade de ampliar a articulação institucional do cooperativismo.
Outro ponto citado foi o crescimento no número de cooperativas, sobretudo na agricultura familiar, o que demanda maior organização e atenção à sustentabilidade dos novos empreendimentos, além de acompanhamento de pautas regulatórias relevantes para o Ramo Crédito.
O presidente da Ocemg e decano do cooperativismo brasileiro, Ronaldo Scucato, destacou a importância de investir na formação de lideranças e na participação dos jovens no movimento. “A liderança é decisiva para o sucesso das cooperativas. Precisamos preparar novas gerações e fortalecer a governança para garantir a solidez e a credibilidade do sistema”, afirmou.
Prioridades para 2026
Ao apresentar as perspectivas para o próximo ciclo, Tania destacou que 2026 será um ano desafiador, especialmente por coincidir com o calendário eleitoral. Entre os principais temas apontados estão o fortalecimento da governança, a agenda de financiamento e a adaptação do setor a um cenário econômico e social em transformação.
O presidente Márcio alertou para a crescente limitação da capacidade do Estado em financiar a agropecuária. “O financiamento da agropecuária brasileira passa cada vez mais pelo mercado. Para acessar esses recursos, precisamos elevar o nível de governança, transparência e gestão das cooperativas.”
A assembleia também discutiu temas como déficit de mão de obra no campo, endividamento rural e modernização das relações de trabalho. “Estamos atuando de forma articulada com outros setores para construir soluções responsáveis, sempre considerando os impactos reais para as cooperativas”, disse Tania.
Ela também destacou que o próximo ciclo dará atenção especial ao fortalecimento da cultura cooperativista. Segundo ela, pesquisas realizadas pelo Sistema OCB nos últimos anos apontam a necessidade de reforçar os princípios e valores que diferenciam o modelo cooperativista e sustentam sua identidade. “A cultura cooperativista é o que sustenta o nosso diferencial como modelo de negócio. Precisamos reforçar continuamente esses princípios e valores dentro das nossas cooperativas”, afirmou.
Entre as iniciativas previstas está ainda a nova campanha nacional Escolha o Coop, que busca ampliar a presença do modelo cooperativista no cotidiano da população e fortalecer a valorização dos produtos e serviços das cooperativas.
Fonte: Sistema OCB
