Bela Vista de Goiás recebeu, na última sexta-feira (6/3), a Caravana Maria da Penha nas Escolas. Mulheres e famílias da agricultura familiar receberam exemplares de um livro em quadrinhos na Cooperativa Floryá e no Sindicato de Trabalhadores Rurais do município.

Lançado em 2016 e idealizado pela pesquisadora e gestora de projetos Manoela Barbosa, o projeto utiliza literatura infantil em quadrinhos para conscientizar crianças e já distribuiu mais de 45 mil exemplares em 65 cidades de cinco Estados brasileiros. Neste ano, percorre 12 municípios goianos durante o mês de março.

Maria da Penha

O livro em quadrinhos traz a história da farmacêutica cearense que deu nome à Lei e se tornou símbolo na luta contra a violência. Além da versão colorida para crianças e profissionais de Educação, o projeto conta com uma versão do livro em tamanho ampliado e braille para pessoas com deficiência visual.

Ao longo do mês de março a caravana passará pelas seguintes cidades: Bela Vista de Goiás, Goiás, Iporá, Matrinchã, Porangatu, Cocalzinho, Goianésia, Aparecida de Goiânia, Orizona, Silvânia, São Miguel do Passa Quatro e Senador Canedo.

Em 2026, o projeto é realizado com recursos do Programa Goyazes 2025 do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e patrocínio da Equatorial Energia. A Viação Carvalho também é patrocinadora e responsável pelo transporte da caravana.

Idealizadora da Skambau Produções, que realiza o Projeto Maria da Penha nas Escolas, Manoela Barbosa reforça a importância de falar sobre violência contra a mulher e de realizar as ações com crianças, adolescentes, com professores e com mulheres da agricultura familiar. “Apenas no primeiro semestre de 2025, o Mapa da Violência apontou uma média de 187 estupros por dia no Brasil. Além disso, foram mais de 1.400 casos de feminicídio segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. São pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números são crescentes e alarmantes”, completa.

Em todo o País, 71% das agressões ocorreram na frente de outras pessoas, incluindo crianças. As vítimas, por sua vez, são em maioria, mulheres jovens com idades entre 25 e 34 anos (21%). Além disso, a maior parte dos casos de feminicídio (64,3%) ocorreu dentro de casa. “Levar essa discussão para as escolas é possibilitar que essas crianças e jovens aprendam, desde cedo, a identificar o que é violência e quem sabe proporcionar um futuro diferente para cada uma delas. Estamos ensinando para as meninas os sinais de alerta e as formas de buscar ajuda e buscando informar e educar os meninos para que eles não se tornem agressores. Essa é uma tarefa coletiva, é uma política pública necessária e urgente”, acrescenta Manoela.

Ihasminy Teixeira, fundadora e atual presidente da Cooperativa Floryá (Cooperativa das Agricultoras Familiares, Povos Tradicionais e Economia Solidária), com sede em Bela Vista de Goiás parabenizou a ação e agradeceu pela parceria. “Infelizmente temos visto uma crescente de violência contra a mulher. Os dados são preocupantes e não são apenas números. São mulheres e meninas, do campo, da cidade. São nossas mães, amigas, filhas. Ninguém está imune e precisamos falar disso para todas as idades. Para meninos e meninas, para homens e mulheres. Estamos honradas em participar dessa ação e foi um momento singular para todos que estiveram presentes”, completou.

Goiás no 6º lugar do ranking nacional

Em Goiás, 60 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 colocando o Estado na 6ª posição nacional quando se trata desse tipo de crime. O Painel Interativo de Violência Contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou em Goiás 55,6 mil novos processos relacionados à violência contra a mulher em 2025. Os dados que são de janeiro a novembro já ultrapassavam os 50 mil casos de 2024. No mesmo período, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – recebeu 10.297 denúncias e pedidos de orientação.

Fonte: Assessoria de imprensa do projeto