
O avanço do cooperativismo de crédito para um novo patamar de relevância no Sistema Financeiro Nacional trouxe à tona uma agenda que deixou de ser acessória e passou a ser estratégica: cibersegurança, integridade e proteção ao cidadão. Durante o Seminário BC-OCB/SNCC em Transformação, nos dias 16 e 17 de abril, o Banco Central foi enfático ao afirmar que o risco operacional — especialmente o risco cibernético e de fraude — já é capaz de comprometer a continuidade das instituições financeiras e, por isso, exige atenção permanente da alta administração.
Mais do que um desafio tecnológico, trata-se de uma agenda que envolve governança, pessoas, processos e atuação sistêmica coordenada, com impacto direto na confiança do cooperado e da sociedade no cooperativismo de crédito.
Ameaça
Um dos principais alertas do seminário foi a constatação de que o risco operacional deixou de ser uma hipótese remota e passou a representar uma ameaça concreta à estabilidade das instituições. Incidentes cibernéticos, fraudes digitais e falhas em controles internos têm potencial para gerar perdas relevantes, interrupções operacionais e danos reputacionais significativos.
Esse cenário muda definitivamente o lugar do tema na agenda das cooperativas. Segurança da informação e prevenção a fraudes deixam de ser assuntos restritos às áreas técnicas e passam a ser temas de conselho e de diretoria, exigindo decisões estratégicas, investimentos contínuos e definição clara de responsabilidades.
Crime
Outro ponto destacado pelo Banco Central foi a transformação do perfil do crime organizado. Com a digitalização do sistema financeiro, ataques físicos perderam espaço para ações direcionadas à infraestrutura tecnológica, especialmente ambientes compartilhados, provedores de serviços e integrações que atendem múltiplas instituições.
Os ataques descritos no seminário demonstram alto grau de sofisticação e reforçam que a resiliência operacional depende de controles preventivos, monitoramento contínuo e capacidade rápida de resposta.
Temas
A análise dos incidentes recentes permitiu ao regulador apontar áreas sensíveis que merecem atenção prioritária das cooperativas e dos sistemas:
- Pessoas: capacitação contínua, cultura de segurança, gestão adequada de acessos e conscientização sobre engenharia social.
- Terceiros: gestão estruturada de fornecedores e parceiros tecnológicos como parte da gestão de riscos.
- Integrações digitais e APIs: controles robustos de autenticação, autorização e monitoramento.
- Monitoramento operacional: acompanhamento contínuo de transações para identificar rapidamente padrões atípicos.
Esses pontos reforçam que a cibersegurança é, antes de tudo, um desafio de governança e gestão, e não apenas de tecnologia.
Supervisão
Um reforço importante trazido pelo seminário é que a prevenção a fraudes e a cibersegurança passam a integrar formalmente a lógica de supervisão. O Banco Central deixou claro que espera que esses temas façam parte dos ciclos de acompanhamento das cooperativas, com avaliação de controles, processos e capacidade de resposta.
Na prática, isso significa que supervisão auxiliar, governança e integridade deixam de ser agendas paralelas e passam a operar de forma integrada, com expectativas objetivas sobre controles e evidências.
Inteligência
Outro aprendizado relevante do debate foi a importância da inteligência compartilhada no combate a fraudes. Em um sistema interconectado, nenhuma instituição está isolada: falhas em um ponto podem ser exploradas para atingir outros.
Por isso, o seminário reforçou a necessidade de atuação coordenada entre cooperativas singulares, centrais e confederações, com troca estruturada de informações, disseminação de boas práticas e verificação da aplicação efetiva das políticas de segurança.
Proteção
A agenda de segurança institucional se conecta diretamente à proteção do cidadão, tema que ganhou destaque com a apresentação do BC Protege Mais. A ferramenta permite que pessoas físicas e jurídicas controlem a abertura de contas em seu nome, reduzindo fraudes e o uso indevido de CPFs e CNPJs.
Para as cooperativas de crédito, o BC Protege Mais representa mais do que uma obrigação regulatória. Ele reforça o compromisso do cooperativismo com a prevenção na origem e com a integridade do sistema financeiro.
O seminário deixou claro que a proteção contra fraudes e golpes faz parte da própria proposta de valor do cooperativismo de crédito. A relação de proximidade com o associado, aliada à educação financeira e à orientação contínua, posiciona as cooperativas de forma privilegiada para atuar preventivamente.
Confiança
Ao integrar os temas de cibersegurança, integridade e proteção ao cidadão, o seminário reforçou uma mensagem central: confiança é o ativo mais valioso do cooperativismo de crédito. No ambiente digital, confiança se constrói com prevenção, monitoramento, resposta rápida e aprendizagem contínua.
Mais do que reagir a incidentes, o desafio do SNCC é antecipar riscos, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a confiança do cooperado e da sociedade, garantindo a sustentabilidade do sistema no longo prazo.
Fonte: Portal do Cooperativismo Financeiro (cooperativismodecredito.coop.br)
