Em uma manhã de troca de conhecimentos, a Unimed Federação Centro Brasileira realizou uma nova edição do Workshop Federativo, no dia 29 de maio. O encontro aberto pelo presidente Martúlio Nunes Gomes, reuniu dirigentes e gestores das Unimeds federadas e contou com uma programação pensada para ajudá-los nos desafios do dia a dia. Os diretores da Federação, Walter Cherubim Bueno e Renato Azevedo também participaram do Workshop.

O primeiro tema foi um alerta para manter o bom ambiente de trabalho: como prevenir, identificar e agir em casos de assédio moral. A advogada trabalhista da Federação, Carla Zannini destacou a necessidade de todas as empresas abordarem o assunto, como uma obrigatoriedade definida por leis e reforçada pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da saúde psicossocial dos trabalhadores.

A especialista já tinha abordado o assunto em palestras para colaboradores das Unimeds federadas, mas, agora, o público das orientações foram os gestores.

“A gestão é extremamente importante nesse processo, pois tem que saber lidar com as situações. Às vezes, o colaborador acha que tudo é assédio e não é. Quem vai explicar isso para o colaborador? A gestão, com muita atenção e empatia”, declarou.

Assim, Carla exemplificou quais condutas realmente representam assédio moral e a necessidade de abrir um canal de denúncias. Da mesma forma, os dirigentes e coordenadores precisam saber como seguir com os casos relatados e fiscalizações.

“É essencial ficar sempre atento às condutas de todos, dos líderes aos colaboradores, para cumprir as normas legais e ter um bom lugar de trabalho. O assediador mais produtivo não compensa o prejuízo de um processo coletivo”, resumiu.

A superintendente Fabiana Daniel adiantou que a Federação iniciará um projeto de Compliance, com investigação e validação de denúncias, que será oferecido às federadas, a fim de que o processo se torne cada vez mais imparcial.

Preparação para grandes sinistros

A segunda etapa do Workshop focou em uma discussão atual entre as operadoras de planos de saúde: o Fundo de Alto Custo. O assessor jurídico da Federação, Daniel Faria, explicou as características básicas para a criação da “poupança” que seria utilizada em casos de grandes sinistros, como solicitações de medicamentos de alto custo.

“A intenção é gerar segurança para as cooperativas de plano de saúde, uma vez que estamos vivendo situações nas quais surgem novos medicamentos e terapias de valores muito altos, alguns que superam R$ 10 milhões. Quando é preciso despender isso imediatamente, há um grande problema de fluxo de caixa”, descreveu.

O debate envolveu a criação de Fundo da Federação, para auxiliar as federadas, mas com regras definidas sobre como e quando usar os valores, incluindo um rol de procedimentos. “Cada Unimed pode ter seu Fundo, mas a ideia aqui é estabelecer um mais robusto e coletivo”, esclareceu Daniel.

Ficou definida a criação de uma comissão para a continuidade das conversas e agendamentos de outras reuniões. “Queremos trazer em um curto prazo mais propostas sobre a administração do Fundo”, afirmou Martúlio Nunes Gomes, presidente da Federação.

As oportunidades da Reforma Tributária

“Quem não se cuidar está correndo risco de insolvência”, esse foi o alerta do especialista tributário e previdenciário Guilherme Baeta que, junto com o especialista em Processo Civil Gustavo Salles, explicou sobre os impactos da Reforma Tributária nas cooperativas.

Apesar das mais diversas dúvidas sobre o assunto, ele deixou claro que é possível aproveitar as oportunidades que a unificação dos tributos pode gerar. No entanto, é preciso estudar, principalmente sobre a cadeia de fornecimento.

Com o entendimento correto, surge o potencial de gerar crédito e ganhar competitividade no mercado. “Operadoras de planos de saúde que não entenderem a cadeia de impostos não vão saber por quanto elas compram, nem por quanto poderão vender. Isso pode comprometer o caixa”, acrescentou ele, que atua há mais de 25 anos no Sistema Unimed.

O conselho dos especialistas foi fazer uma análise aprofundada, como um diagnóstico, de toda a rede de compras e despesas, mapeando os pontos de oportunidade. “A tributação brasileira é muito complexa, mas deve ser entendida. O ‘jogo’ vai acontecer, mas ainda dá tempo de se preparar para ele”, finalizou.