
No último sábado, 4 de julho, foi celebrado o Dia Internacional do Cooperativismo. A data convida a olhar para um sinal claro do momento que vivemos: o cooperativismo de crédito brasileiro, ou cooperativismo financeiro, chegou à marca de R$ 1 trilhão em ativos, segundo dados do Banco Central do Brasil divulgados durante o seminário BC–OCB: SNCC em Transformação, realizado em abril deste ano em Brasília (DF).
O número chama atenção pelo tamanho, mas importa ainda mais pelo que representa. Ele mostra que milhões de brasileiros têm escolhido instituições financeiras em que o dono não é alguém distante. É o próprio cooperado. Mas também lembra que o cooperativismo faz parte da vida econômica, social e cultural do nosso país.
Esse avanço faz parte de um movimento maior. O cooperativismo está presente no crédito, no campo, na saúde, no transporte, no consumo, na infraestrutura e na produção de bens e serviços. Ao todo, são sete diferentes ramos, mas unidos pela mesma lógica: pessoas que se organizam para resolver necessidades comuns e gerar resultados que voltam para a comunidade.
Quando se considera os números totais do cooperativismo nacional, o valor em ativos chega a R$ 1,4 trilhão. Em primeiro lugar está o ramo financeiro com R$ 1 trilhão, do qual o Sicoob detém R$ 430 bilhões em ativos, cerca de 43% do segmento. O Agropecuário vem em seguida com R$ 307,5 bilhões de ativos. No Brasil há quase 26 milhões de cooperados, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025. O Sicoob conta com 10 milhões das 24 milhões de pessoas associadas ao cooperativo de crédito.
Mas o cooperativismo não pode ser entendido apenas por seus números. Seu maior valor está na forma como transforma resultado em desenvolvimento. Quando uma cooperativa apoia um pequeno negócio, atende um produtor rural, o servidor público, orienta uma família sobre educação financeira ou reinveste na região, ajuda o dinheiro a circular onde as pessoas vivem e trabalham.
Neste ano, outro marco reforça essa importância: o cooperativismo passou a ser reconhecido por lei como manifestação da cultura nacional. É um reconhecimento justo a um modelo que faz parte da história do país e segue atual porque une participação, confiança e prosperidade compartilhada.
O tema global de celebração do Dia Internacional do Cooperativismo deste ano é “Cooperativas por um mundo pacífico”. Ele provoca a pensar além da economia. Paz nasce quando há diálogo, pertencimento e oportunidade. Cooperar é criar pontes entre pessoas e comunidades.
A proximidade com a comunidade é um dos maiores diferenciais do modelo cooperativo. Como presidente do Sicoob Nova Central, vejo essa força de perto. Nosso sistema regional reúne 32 cooperativas filiadas com atuação em diversos estados com maior presença em Goiás, Distrito Federal e Tocantis.
Celebrar esta data é reconhecer um caminho que mostrou capacidade de crescer com responsabilidade. O marco de R$ 1 trilhão e o reconhecimento como expressão da cultura nacional reforçam uma mensagem clara: o Brasil avança quando escolhe confiança, participação, cooperação e desenvolvimento coletivo.
Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente do Sicoob Nova Central
