O Sistema OCB/GO deu o primeiro passo para a constituição daquela que pode ser a primeira cooperativa genuinamente de cachaça do Estado de Goiás. O tema foi discutido em reunião realizada na Casa do Cooperativismo Goiano, na última quinta-feira (23), com a presença de representantes da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Orizona (Apacor) e da Universidade Federal de Goiás (UFG). A iniciativa ganhou força após a cachaça produzida no município receber, em março, o selo de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O registro oficial reconhece a origem, a qualidade e a tradição centenária da bebida, projetando Orizona como potencial exportador do produto para fora do país. O próximo passo é a criação da cooperativa, permitindo que os diferentes produtores se unam para comercializar em escala maior, somando forças para atender demandas que isoladamente não conseguiriam alcançar.

O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, classificou o encontro como muito produtivo e destacou o caráter pioneiro da iniciativa. “Estamos assumindo o compromisso de dar início à primeira cooperativa genuinamente de cachaça do Estado de Goiás, ali em Orizona. Essa nova cooperativa vai orgulhar e engrandecer muito o cooperativismo goiano”, afirmou.

Os 20 produtores interessados em constituir a cooperativa foram representados na reunião por José Natal Barbosa, que produz a histórica Cachaça Minha Saudade, na Fazenda Marinheiro. Ele mantém viva uma tradição iniciada na propriedade ainda na década de 1930. O produtor ressaltou o impacto econômico da futura cooperativa para o município. “O cooperativismo é isso, unir forças para que a gente consiga levar à Orizona o desenvolvimento que o município precisa ter”, disse.


Tradição

A produção de cachaça em Orizona remonta à origem do município, em 1840, quando pioneiros vindos de Minas Gerais passaram a produzir a bebida. O modo de fazer artesanal, transmitido de geração em geração, fez a cachaça local ganhar fama pela qualidade. Na década de 1930, o município chegou a contar com 150 fazendas produzindo cachaça, história que foi fundamental para a conquista da Indicação Geográfica.

Na prática, o selo de IG garante que apenas produtores da região, seguindo critérios técnicos rigorosos, possam utilizar o nome “Orizona” em seus rótulos. Para o consumidor, isso significa procedência e autenticidade. Para os produtores locais, o registro representa proteção, valorização e um novo patamar de competitividade no mercado.