Ainda que possam ter eventuais diferenças ideológicas, as candidatas cooperativistas do estado de Goiás nestas eleições concordam em dois aspectos: colocar as mulheres em posições de destaque nos espaços de poder e estar sempre atentas à manutenção do voto feminino são inegociáveis. Essas premissas foram debatidas em reunião mediada pelo Sistema OCB/GO nesta sexta-feira (25/09), na sede do Sistema OCB/GO, com objetivo de reunir mulheres cooperativistas com destacada participação na cena política.

Para o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, o evento coloca em prática a educação e o engajamento políticos, duas grandes prioridades da instituição. Segundo o dirigente, todos que estão direta ou indiretamente conectados ao modelo cooperativista não podem ficar alheios a essas questões.

“Estamos reconhecendo o papel dessas mulheres. Temos que ser gratos por quem trabalha pelo cooperativismo. O voto é uma questão pessoal, mas queremos que todos pensem no cooperativismo quando chegar o momento de ir às urnas”, disse o presidente.

Participação feminina

As participantes reforçaram a necessidade da participação feminina em espaços de destaque e rebateram fortemente a questão da proibição do voto feminino, pauta levantada recentemente por alguns setores da sociedade. Para elas, é fundamental ter mulheres na política, uma vez que representam 52%  da população brasileira e influenciam em todos os âmbitos da sociedade.

“Uma sociedade representada apenas por homens é uma sociedade manca”, comentou a ex-senadora Lúcia Vânia, que representou a candidata ao senado Gracinha Caiado.

Para Kátia Maria, candidata a deputada estadual, a pauta não interessa apenas às próprias mulheres. “A pauta da mulher atravessa toda a sociedade, pois somos mães, estamos na política, somos empreendedoras, cooperativistas e presentes em diversos outros setores”, afirmou.

A deputada federal e candidata à reeleição Marussa Boldrin também entende que a importância da discussão é ampla. “Além de impulsionar as mulheres, temos que trabalhar fortemente pela conscientização dos homens”, falou Boldrin. Já a candidata à camara federal Camila Rosa diz não aceitar discursos que cerceiam os direitos das mulheres: “Não aceitamos um direito a menos. Queremos avançar!”.

Segurança

A maioria das candidatas relatou já ter sofrido alguma perseguição ou violência política por parte de homens, até mesmo em plenários. Por isso, acreditam que sempre é necessário lutar pela segurança das mulheres. Nárcia Kelly, candidata a deputada estadual, comentou que, por vezes, o lugar mais perigoso para uma mulher é ao lado de um parceiro ou ex-parceiro violento.

“O feminício é um problema geral, que destrói famílias e interfere na história de mulheres, homens, crianças e até idosos. Precisamos combatê-lo e ter mais mulheres na política”. Kátia Maria concordou: “É na política que a gente muda a realidade, onde combatemos a violência e os demais problemas.”

“Tem quem faça uma política da maldade e do desrespeito”, denunciou Marussa.

Camila Rosa reforçou a ideia, fazendo um contraponto com aqueles que fazem essa ‘política do desrespeito’. “A política nada mais é do que cuidar de gente. Esse lugar deve ser para aqueles que amam fazer isso”, afirmou.

Cooperativismo

As candidatas ainda contaram  suas experiências com o cooperativismo e como o modelo serve para impulsionar as mulheres e distribuir riquezas. “Acredito que precisamos fazer das mulheres figuras de relevância e o cooperativismo é um excelente meio para isso”, disse Kátia Maria. A ex-senadora Lúcia Vânia complementou, dizendo que o modelo “não é só uma atividade econômica, mas também uma forma de ajudar as pessoas.”

Já Marussa elogiou a atuação do Sistema OCB/GO no campo político, contribuindo com a representação do modelo. “O cooperativismo goiano e nacional entende o quão importante é ter os políticos por perto”, comentou a candidata à deputada federal.