Em parceria com a revista Leitura Estratégica, o Sistema OCB/GO passa a republicar em seu site a série especial “Goiás Cooperativo: 70 anos da OCB/GO”. Originalmente publicada pela revista, a série de 70 capítulos resgata a trajetória do cooperativismo em Goiás desde a fundação da então UCEG, em 1956, destacando os pioneiros, os marcos históricos e a evolução que transformou o movimento em um dos principais pilares da economia goiana. Acompanhe conosco essa história de união, trabalho e desenvolvimento que construímos juntos.

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ANO 1

A formação do cooperativismo goiano

Caderno especial conta a saga da OCB/GO e do coop goiano, em 70 capítulos

Leandro Resende 

Goiânia, 2 de outubro de 1956. Enquanto o Brasil voltava os seus olhos para o Planalto Central, onde o “presidente Bossa Nova”, Juscelino Kubitschek, começava a erguer a nova capital, um grupo de idealistas se reunia em uma sala apertada no Centro de Goiânia para erguer, ainda sem saber, o que seria um dos fortes pilares da economia goiana.

No Edifício Rita de Albuquerque, na Rua 8, hoje mais conhecida como Rua do Lazer, 14 pioneiros do cooperativismo goiano ocupavam o pequeno espaço, 12 metros quadrados, com ideias que se mostrariam grandes. Nascia ali a União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG), o primeiro capítulo da história que hoje conhecemos como OCB/GO. História que será contada em 70 capítulos na revista Leitura Estratégica.

O cenário

Para entender a fundação da UCEG, é preciso um olhar amplo sobre o Estado naquele momento, nos anos 1950. Goiás era um Estado de economia primária, mas promissora. A “Marcha para o Oeste”, iniciada por Getúlio Vargas e intensificada por JK, transformou o Estado em um ímã de migrantes e imigrantes. Mineiros, maranhenses e baianos chegavam com a esperança na bagagem e a força do braço para desbravar a terra fértil. Pelos navios, chegavam árabes, japoneses e europeus. 

O Governo Federal via no cooperativismo o melhor caminho para fixar o homem no campo e garantir que o alimento chegasse à mesa de uma população que crescia em ritmo acelerado. O cooperativismo, na mesma época, iniciava uma expansão pelo País e em Goiás, com apoio estatal. Contudo, o movimento já ganhava força desde o começo do século, com raízes germânicas e italianas, especialmente na Região Sul, com cooperativas de crédito e agropecuárias. 

Em 1933, Getúlio já dizia: “O cooperativismo é o veículo de defesa do produtor”. E, em 1956, essa semente finalmente encontrou o solo ideal em Goiás.

A assembleia dos pioneiros

A primeira ata da UCEG, redigida com o rigor técnico de Laert Ferreira de Araújo, não deixava dúvidas sobre o propósito daquele encontro: “Constituir uma associação que pudesse atuar, como órgão de classe, na defesa e propagação do verdadeiro cooperativismo”.

Mas não eram apenas produtores rurais naquela sala. O grupo era um mosaico da sociedade goiana: juristas, professores, bancários e políticos. No comando da UCEG, José de Assis Moraes. Natural de Silvânia, economista formado em São Paulo e produtor rural, Moraes era o elo perfeito entre a técnica e a prática. Com experiência como prefeito de Rio Verde e deputado estadual, ele sabia que a força política era o combustível necessário para que o cooperativismo goiano não fosse apenas um conjunto de iniciativas isoladas, mas um movimento organizado.

Ao lado dele, nomes importantes para Goiás, que, hoje, dão nome a ruas e instituições: Orlando Ferreira, Jaime Câmara e Clóvis Fleury, entre outros. Eles foram os arquitetos de uma estrutura que visava o desenvolvimento sustentado, mantendo a unidade doutrinária que o setor exigia.

O difícil começo

Apesar do otimismo, o primeiro ano da UCEG (1956-1957) foi um teste de resiliência. Embora o Brasil já contasse com mais de 3.600 cooperativas e Goiás já tivesse cerca de 50 entidades, a maioria com menos de uma década, a cultura do cooperativismo ainda não estava disseminada.

A UCEG nasceu com poucos recursos. As cooperativas filiadas pouco contribuíam, ainda lutavam para sobreviver. A estrutura era mínima: a única funcionária era uma secretária cedida pelo Incra. Mas o desafio era hercúleo: Como representar um setor tão vasto de dentro de uma sala de 12 metros quadrados?

A resposta estava na visão dos seus fundadores. Eles entenderam que a UCEG não deveria ser um fim em si mesma, mas um elo. Enquanto o Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) oferecia o amparo financeiro, a UCEG oferecia a voz política empresarial e a organização técnica. 

Ata que registra a fundação da UCEG, em 2 de outubro de 1956

Aqueles primeiros meses foram de muito trabalho e convencimento. Cada reunião era uma vitória contra o isolamento geográfico e a falta de recursos – e mostrava que o caminho estava certo. O que se plantava ali, naquela modesta sala do Edifício Rita de Albuquerque, era a consciência de que o cooperado sozinho é frágil, mas unido, ele é dono do seu destino.

O primeiro ano da UCEG terminou com uma lição que perdura até hoje: o cooperativismo não se faz com paredes, faz-se com a união de propósitos, com pessoas e com trabalho. A semente fora lançada. O Cerrado nunca mais seria o mesmo. A partir desta semana, conheça a evolução do cooperativismo em Goiás, capítulo a capítulo. Acompanhe!