O avanço dos planos odontológicos no Brasil reforça o peso da saúde bucal no setor suplementar e abre uma discussão que vai além do crescimento da carteira. Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que os planos exclusivamente odontológicos chegaram a 35.797.271 beneficiários em março de 2026, com alta de 3,58% em 12 meses. No período, o segmento recebeu 1.237.479 novos vínculos.

Em Goiás, a Uniodonto Goiânia acompanha esse movimento com expansão da assistência e indicadores de gestão considerados saudáveis para o setor. A cooperativa encerrou 2025 com 166.860 beneficiários, crescimento de 10,17% na Receita Operacional Bruta e faturamento superior a R$ 44 milhões, segundo dados do Relatório de Gestão e Sustentabilidade 2025 da cooperativa.

Para o presidente da Uniodonto Goiânia, Fábio Prudente, os números mostram que o plano odontológico é incorporado ano a ano de forma mais consistente à rotina das famílias e também aos pacotes de benefícios oferecidos pelas empresas. O crescimento, avalia ele, precisa ser acompanhado por uma mudança de comportamento em relação ao cuidado com a saúde bucal.

“Crescer em número de beneficiários é importante, mas o setor precisa crescer com qualidade. O plano odontológico deve ser usado como acesso regular ao cuidado, à prevenção e à orientação profissional, e não apenas quando a dor aparece ou quando o problema já está instalado”, afirma.

A expansão dos planos odontológicos também aumenta a responsabilidade das operadoras na organização da rede, na comunicação com os beneficiários e no estímulo às consultas preventivas. Na odontologia, o acompanhamento periódico ajuda a evitar tratamentos mais complexos, reduz custos assistenciais e melhora os resultados para o paciente.

Segundo Fábio Prudente, esse é um dos pontos centrais para a maturidade do setor. “Na odontologia, prevenir é sempre melhor, mais simples e mais eficiente do que tratar tardiamente. Quando o beneficiário mantém acompanhamento regular, ele preserva a saúde, reduz riscos e permite que o cirurgião-dentista atue antes que os problemas se agravem”, destaca.

Odontologia suplementar

O crescimento dos planos odontológicos também ocorre em um cenário de maior exigência regulatória, aumento da concorrência e busca por melhor experiência do beneficiário. Temas como agenda regulatória da ANS, inovação no atendimento, uso de inteligência artificial, relacionamento com a rede credenciada e remuneração dos profissionais estiveram entre os assuntos discutidos pelo setor, no Congresso Sinog, um dos principais encontros da odontologia suplementar no país, realizado nos últimos dias 14 e 15 de maio, em São Paulo.

Na prática, esse debate interessa diretamente à população. Quanto mais organizado, regulado e eficiente for o setor, maior tende a ser a capacidade das operadoras de ampliar o acesso, reduzir barreiras de atendimento, orientar melhor o beneficiário e estimular o cuidado preventivo. Para quem utiliza o plano, isso pode significar mais facilidade para buscar atendimento, mais informação sobre a própria saúde bucal e maior possibilidade de resolver problemas antes que eles se tornem mais graves.

Para a Uniodonto Goiânia, a tecnologia pode contribuir para melhorar processos, facilitar o acesso a informações e aproximar a operadora dos beneficiários e dos cooperados. Mas o presidente da cooperativa avalia que a inovação precisa estar conectada à assistência. “A tecnologia ajuda muito quando simplifica a vida do beneficiário, melhora o atendimento e dá mais segurança aos processos. Mas a base da odontologia continua sendo a relação de confiança entre paciente e cirurgião-dentista. O digital precisa apoiar essa relação, não substituir o cuidado humano”, ressalta.

Outro ponto em discussão no setor é a relação com os profissionais da rede de atendimento. No caso das cooperativas odontológicas, o cirurgião-dentista participa da operação de forma diferente, porque integra o próprio modelo de negócio. Para Fábio Prudente, essa característica ajuda a equilibrar gestão, assistência e valorização profissional.

“No cooperativismo, o cirurgião-dentista não é apenas um prestador. Ele faz parte da cooperativa, participa da construção do atendimento e contribui diretamente para a qualidade da assistência. Esse vínculo dá ao modelo cooperativista uma força importante para enfrentar os desafios do setor”, afirma.

Com o aumento da procura por planos odontológicos, a tendência é que a saúde bucal ganhe ainda mais espaço na pauta das empresas, dos gestores de saúde suplementar e dos próprios beneficiários. Para a Uniodonto Goiânia, os direcionadores da cooperativa incluem manter crescimento, controle assistencial e proximidade com a rede de cooperados, sem perder de vista o principal: ampliar o acesso da população ao cuidado odontológico de qualidade.

Fonte: OFICINA – comunicação e consultoria estratégica