Confira abaixo artigo do presidente da Uniodonto Goiânia, Fábio Prudente, publicado no Jornal O Popular, na edição de 26 de agosto.

Governança e sua engrenagem

Em 2025, o Ano Internacional do Cooperativismo, vale a pena fazer uma provocação: as cooperativas, que são muitas vezes tratadas como “alternativas” no mercado econômico, podem estar anos à frente em práticas que o mundo corporativo ainda tenta aprender? Será que governança é um assunto somente para multinacionais e conselhos administrativos? Talvez seja hora de rever esse conceito.

Governança corporativa pode não ser um tema muito popular nas rodas de conversa. Mas deveria ser. Porque é justamente nela que mora um dos maiores segredos de longevidade, solidez e protagonismo de um sistema que une mais de 20 mil dentistas em todo o país — a Uniodonto — e que compõe hoje a maior rede de cooperativas odontológicas do mundo.

Não se trata apenas de estatutos ou organogramas bem desenhados pela cooperativa. Governança é prática cotidiana, está no dia a dia. Para nós, é o exercício do equilíbrio entre os interesses dos cooperados, o compromisso com os beneficiários e a perenidade da cooperativa como negócio.

Em recente discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente da Uniodonto do Brasil e vice da Aliança Cooperativa Internacional nas Américas (ACI-Américas), José Alves, destacou que “as cooperativas promovem democracia, inclusão social e preservam recursos naturais”, afirmando seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso reforça que quem vive o cooperativismo sabe que ESG (Ambiental, Social e Governança) é prática, não modismo.

Empresas que adotam modelos tradicionais de governança vivem, com frequência, o dilema da separação entre capital e trabalho. Já nas cooperativas, o capital é o trabalho. O dono é quem faz. Isso exige um modelo de decisão muito mais horizontal e uma escuta mais ativa, que não só melhora os resultados, como antecipa as soluções. É como se tivéssemos inventado o ESG antes mesmo de o termo se tornar essa grande tendência e de ter a relevância que tem hoje.

É comum ouvir em grandes eventos e nos discursos que as empresas do futuro serão mais humanas, mais coletivas, mais éticas e que vão valorizar o propósito. Bem-vindo ao universo cooperativo que já nasce com tudo isso em seu DNA.

Mas atenção: governança corporativa não é amadora nem improvisada. Ao contrário do que se imagina, ela é regida por regras claras, ritos bem definidos e responsabilidades distribuídas. E é justamente essa estrutura que garante legitimidade às decisões, fortalece a confiança interna e externa e sustenta o crescimento do negócio.

Cooperativas não são o “plano B”. São o “modelo A” de um novo tempo. Em um Brasil que busca mais e mais caminhos para crescer com maior inclusão, produtividade e responsabilidade social, o cooperativismo é uma aula prática de economia compartilhada. Gera renda, distribui valor e mantém raízes locais fortes, com responsabilidade. E mais: faz tudo isso com viabilidade financeira.

A governança pode não fazer barulho, mas é ela quem garante que a engrenagem continue a girar com consistência, propósito e, especialmente, com futuro.

Fábio Prudente, presidente da Uniodonto Goiânia