
A história de resistência e autogestão forjada pela Cooperativa de Jornalistas de Goiás (Projornal) entre 1978 e 1988 acaba de ganhar um registro definitivo. A jornalista Kalyne Menezes lançou, pela Editora UFG, o livro que revela os bastidores dessa experiência pioneira, resultado de sua pesquisa de doutorado. A obra integra a Coleção Expressão Acadêmica e está disponível para download gratuito.
Fundada em 1978, ainda sob o peso da ditadura militar, a Projornal surgiu como uma resposta coletiva de profissionais que buscavam autonomia em um contexto de censura, perseguições e fechamento do mercado de trabalho. A cooperativa tornou-se um polo de produção de jornais alternativos e de suporte à comunicação de movimentos sociais e sindicais, consolidando-se como um espaço de resistência política e profissional em Goiás.
Por meio de narrativas de memória, a autora reconstrói o legado de uma década de atuação que transformou o cenário da comunicação no Estado. “A Projornal foi a materialização de um ideal de autonomia. O livro mostra como a união de profissionais com pensamentos distintos, em prol de um coletivo, gerou frutos que reverberam até hoje na comunicação em Goiás”, afirma Kalyne.
A professora Rosana Borges, orientadora do estudo, destaca que a obra ajuda a preencher um silêncio acadêmico sobre o tema. “A cooperativa acolheu pessoas e abriu mercados quando o horizonte tenebroso da ditadura militar imputava censuras, prisões, torturas e fechamento de oportunidades para jornalistas considerados subversivos e perigosos à segurança nacional”, ressalta.
OCG
A pesquisa que embasou o livro contou com a colaboração de Jales Naves, um dos fundadores da Projornal e ex-presidente da OCG (Organização das Cooperativas do Estado de Goiás), antigo nome da OCB/GO. Ao longo dos anos, Naves preservou estudos e documentos que se tornaram fontes importantes para a reconstrução histórica da cooperativa.
Sua atuação mais direta na Projornal se deu nos dois primeiros anos. Eleito em chapa única, presidiu a entidade no segundo biênio (1981-1983). Durante o mandato, foi indicado representante da cooperativa na direção da OCG. Três meses depois, com a renúncia do então presidente, Naves foi eleito por unanimidade para assumir o comando da organização estadual.
Atualmente, o jornalista ocupa a Cadeira nº 34 do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), dedica-se à escrita e é diretor da Editora Naves. Entre seus livros publicados, estão “Otávio Lage: Empreendedor, Político, Inovador” e “Cooperativismo de Crédito – Sua história em Goiás e seu protagonismo no Brasil”.
Serviço
O livro sobre a Cooperativa de Jornalistas de Goiás está acessível gratuitamente pelo link: https://tinyurl.com/35v9txrf. As demais obras da Coleção Expressão Acadêmica podem ser consultadas no site da Editora UFG: www.editora.ufg.br.
