
Quem empreende hoje não tem um único perfil. A economia goiana é feita por pessoas de diferentes idades, trajetórias, origens e experiências, que encontram formas também distintas de produzir, gerar renda e criar oportunidades.
Essa diversidade já faz parte da realidade das cooperativas e dos diferentes negócios. O que está mudando é a atenção que empresas e instituições dedicam a ela e a compreensão de que ampliar a participação de diferentes públicos significa ampliar possibilidades para a própria economia.
Não se trata apenas de reconhecer quem já está empreendendo, mas de entender o que pode fazer com que mais negócios consigam crescer. Acesso a crédito, qualificação, tecnologia e mercado são questões que dizem respeito a qualquer empreendedor, mas podem pesar de maneira diferente conforme a trajetória e as condições de cada grupo.
O mesmo vale para mulheres, jovens, pessoas com 50 anos ou mais e pequenos produtores. Cada público tem características próprias, mas todos fazem parte de uma economia que se tornou mais diversa e que precisa estar preparada para aproveitar melhor essa diversidade.
Nesse cenário, criar conexões importa tanto quanto criar oportunidades. Um pequeno negócio pode ter um bom produto e ainda encontrar dificuldades para chegar a novos mercados. Pode ter conhecimento, mas não acesso ao crédito necessário para crescer. Pode ter capacidade de produção, mas não escala suficiente para negociar em melhores condições.
É justamente aí que a cooperação pode fazer diferença. No cooperativismo, pessoas e negócios encontram uma forma de compartilhar estruturas, conhecimento, custos e acesso a mercados. Em vez de enfrentar individualmente desafios que muitas vezes são comuns, passam a construir soluções em conjunto.
Esse movimento ganha espaço em Goiás. Em 2025, 3,6% das pessoas ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria estavam associadas a cooperativas de trabalho ou produção, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Em 2024, eram 2,8%.
Mais do que um indicador, esses números mostram que a cooperação pode acompanhar as transformações do mundo do trabalho e do empreendedorismo. À medida que novos perfis chegam, crescem ou ganham visibilidade no ambiente de negócios, também surgem novas demandas por acesso, conexão e desenvolvimento.
É essa realidade que a FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio — traz. O evento reúne indústria, comércio, agronegócio, cooperativismo e empreendedorismo no mesmo local, aproximando pessoas e negócios que muitas vezes participam das mesmas cadeias econômicas sem necessariamente se conectarem.
O empreendedorismo goiano é diverso, como o cooperativismo. A questão, daqui para frente, é como transformar essa diversidade em mais negócios, mais conexões, mais renda e mais desenvolvimento. E isso passa menos por criar espaços separados e mais por ampliar os espaços de encontro.
Porque a pergunta sobre quem empreende hoje também ajuda a pensar na economia que queremos construir amanhã.
*Por Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO
